
Dizem que o certo do anzol é ser torto... Acredito que minha ‘ilustre’ vida se encaixe perfeitamente nesta simples frase... Tenho feito de tudo, tenho feito o melhor que posso, e descobri que tenho feito tudo por minha vida, tudo de errado. Decisões precipitadas, sentimentos inventados, perguntas sem respostas, buscas sem resultados, lutas sem vitórias, uma vida totalmente inventada... e na hora errada! Quando paro para ver como estou, lá no fundo, lá no meu interior, sabe assim... sem medo de chorar ou se decepcionar? … Percebo como estou mal, estou em estado de decomposição, pois já não há muito para fazer a meu favor, sendo que todo e qualquer esforço será de um todo desnecessário. Não, não estou sozinha, muito pelo contrário, sou completamente rica de amizades, de carinho e de amores, amores antigos e atuais, mas mesmo assim, tem algo que quase diariamente faz com que meus olhos se deixem inundar e transbordar em minha face e mesmo neste momento consigo rir, pois tudo que me aflige neste instante são resultados de minhas próprias idiotas escolhas... Feia, feia não sou, a não sou mesmo! Apesar de ter certa idade, sou muito bem feita de corpo, de rosto e diálogo. Mas então, o que falta? Para que esta angústia secreta saia da minha garganta? Para que meu sorriso pare de disfarçar a tristeza que meus olhos escondem? Que meu peito não doa quando for necessário falar de mim? Sabe... Eu adoro a noite e a escuridão, pois é neste exato momento que posso chorar livremente sem que ninguém veja e me obrigue a dar explicação do que é inexplicável... Mas como já está amanhecendo, vou lavar meu rosto e sorrir para interpretar a mulher bem resolvida que eu nunca fui ...!
Ana Paula Batista | 2º Ano – Formação de Docentes
C.E. Antonio Xavier da Silveira / Irati
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