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Eloir Rodrigues

Publicado em 19 de Fevereiro de 2012, às 00h00min | Autor: Eloir Rodrigues - eloir@jmnews.com.br

Querem excluir PG e região do mapa da industrialização

Nossos prefeitos, deputados e lideranças empresariais não podem admitir que mudem as regras do programa PR Competitivo, a fim de aumentar os incentivos fiscais para investimentos

Um plano maquiavélico está em curso com o objetivo de excluir Ponta Grossa e a região dos Campos Gerais do mapa da industrialização no Paraná. Grupos políticos de outras regiões do Estado, especialmente de Londrina e Maringá, com forte influência no governo, se mobilizam no sentido de mudar as regras do programa “Paraná Competitivo”, a fim de aumentar os incentivos fiscais para instalação de indústrias nessas outras regiões, em desfavor de Curitiba, Região Metropolitana, Ponta Grossa e Campos Gerais. Motivo: inveja e dor de cotovelo.
Traduzindo isso em números, o fato é que dos R$ 9 bilhões de investimentos captados pelo programa Paraná Competitivo desde o início do ano passado, 80% ficaram nas regiões de Curitiba e Ponta Grossa. Por conta disso, há cerca de um mês a Secretaria de Indústria e Comércio, comandada pelo ex-prefeito de Maringá, Ricardo Barros, está elaborando um estudo que prevê redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para alguns municípios.
A proposta será apresentada para a Secretaria de Fazenda, capitaneada pelo ex-deputado federal Luiz Carlos Hauly (que por várias vezes foi candidato a prefeito de Londrina, todas sem êxito). O estudo, em síntese, busca encontrar um mecanismo capaz de desviar Ponta Grossa e os Campos Gerais do foco de atenção de novos investidores.
Há um corrente do governo, portanto, que parece estar disposta a fazer uma ampla manobra política, envolvendo inclusive a Assembléia Legislativa, a fim de mudar as regras do jogo e favorecer Londrina, Maringá e outras regiões do Estado. E não há outra forma de se atingir esse objetivo, a não ser adotando no Paraná uma política de incentivos fiscais flagrantemente discriminatória, passível de discussão inclusive na esfera judicial.
O governo do Estado não pode alterar o programa “Paraná Competitivo” de forma a excluir Ponta Grossa e os Campos Gerais do mapa da industrialização. As regras do jogo devem ser as mesmas para todos os municípios do território paranaense. Até porque se hoje a maioria dos investidores decide por Ponta Grossa e os Campos Gerais é porque a cidade e a região se prepararam, ao longo dos últimos 40 anos, apostando nessa vocação industrial.
As vantagens que a nossa região oferece aos investidores vão muito além dos incentivos fiscais. Tem a ver com elevado grau de qualificação da mão-de-obra na área tecnológica, a existência de um forte polo metal-mecânico, matéria-prima em abundância e uma invejável infra-estrutura logística, que vai desde a capacidade de fornecimento de energia elétrica e gás natural até a proximidade com o Porto de Paranaguá. Nestes últimos dois quesitos, aliás, não há manobra política capaz de tirar a enorme vantagem de Ponta Grossa em relação às outras grandes cidades do interior do Estado. O ramal do gasoduto só chega até aqui. E, por uma questão óbvia, sempre estaremos mais perto do porto, o que, para as grandes indústrias, representa um incomparável diferencial competitivo, porque significa redução de custos na operação logística.
É preciso reconhecer que cada região do Estado possui a sua vocação econômica. Londrina, por exemplo, sempre apostou no setor de Serviços. A região de Maringá é referência nas confecções. Ponta Grossa e os Campos Gerais investiram nas grandes indústrias e hoje colhem os frutos daquilo que foi plantado no passado. Se antes duvidavam do potencial de crescimento de Ponta Grossa, dizendo que nossa cidade era o quintal de Curitiba, hoje mostramos que temos identidade própria e, mais do que isso, temos capacidade de traçar o nosso próprio destino, cada vez mais próspero e promissor.
Ponta Grossa é sim – e continuará sendo - a bola da vez na industrialização do Paraná, porque nosso povo faz por merecer. Justamente por este motivo, não podemos admitir que avancem essas manobras políticas, visando a criação de uma política discriminatória de incentivos fiscais no Estado, a fim de excluir os Campos Gerais do mapa de atração de novos investimentos. Nossos prefeitos, deputados, lideranças empresariais e entidades precisam se mobilizar, impedindo que esse plano prospere.
E o caminho para isso é o governador Beto Richa. Muito provavelmente, esse plano de excluir Ponta Grossa e região sequer chegou a ser levado ao conhecimento do governador, que, por ser um defensor dos Campos Gerais, certamente irá impor sua autoridade e impedir que o programa Paraná Competitivo seja modificado, a fim de favorecer outras regiões em detrimento da nossa.
A regra do jogo deve ser a mesma para todos os municípios do Estado, sem qualquer tipo de distinção ou favorecimento. Ou o voto do eleitor daqui vale menos que o voto dos eleitores de outras regiões do Paraná?



Comentários para esta notícia.


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  • Adriano Pilipowski Arruda22/02/201213h03

    A sociedade vai reagir e demonstrar que nao podemos permitir esta perca de certa competitividade de nossa região quanto a atracão de novos investimentos.Agora e momento de nossos deputados trabalharem em conjunto em defesa de Ponta Grossa...e se possível continuarem por lá trabalhando pela nossa sociedade.

  • Fabricio Manoel Loureiro22/02/201213h03

    E por essas e outras que nestas eleições nao podemos eleger um deputado. Eles precisam estar lá na assembléia atentos para manobras políticas que podem interferir no nosso desenvolvimento local! Quanto mais representatividade política melhor para o futuro de nossa cidade..até porque na gestao municipal precisamos de novas lideranças!

  • Regis Antônio Durval22/02/201213h04

    Agora vamos ver qual a forca e influencia de nossos deputados estaduais..vamos ver quem esta por Ponta Grossa ou esta por si proproio apenas pensando em eleições! Sera que iriam contra esta idéia do governo estadual ou ficarão quietos para nao desagradar o governador e nao conseguir sua indicação a candidato a prefeito? Com a palavra, nossos dois deputados de situação!

  • JP22/02/201208h14

    O fato da taxa de criminalidade ter aumentado em 113% nos últimos 10 anos em Curitiba e região metropolitano, alavancada pelos investimentos industriais canalizados àquela região, que atraiu mão-de-obra de outras partes do estado, é um dos pontos que contribuem para o desejo de mudança no Programa Paraná Competitivo (conforme publicado no Jornal O Diário - http://maringa.odiario.com/maringa/noticia/540399/250-industrias-estao-na-fila/). Parece que as lideranças não querem que o mesmo aconteça a Ponta Grossa e região. Outro ponto que contribui para a intenção de mudança, obviamente, é eleitoreiro %u2013 a região norte é uma das mais populosas do estado, e certamente observa que os frutos do Programa Paraná Competitivo só apareceram, até o momento, na região leste. O governador fará de tudo para ser reeleito e, para isso, sabe que terá que começar sua %u201Ccampanha%u201D desde já. Até aí não vemos maquiavelismo, dor de cotovelo e muito menos inveja, até porque a região norte, mesmo com seus problemas, é muito desenvolvida. Creio que a dor de cotovelo e, sobretudo, inveja, esteja partindo de Ponta Grossa, pois vê que o norte, mesmo nunca tendo sido auxiliado pelo governo do estado (diferentemente de Ponta Grossa, com o Paraná Competitivo), consegue ser mais rico e desenvolvido que a região dos Campos Gerais.

  • JP22/02/201208h14

    O fato da taxa de criminalidade ter aumentado em 113% nos últimos 10 anos em Curitiba e região metropolitano, alavancada pelos investimentos industriais canalizados àquela região, que atraiu mão-de-obra de outras partes do estado, é um dos pontos que contribuem para o desejo de mudança no Programa Paraná Competitivo (conforme publicado no Jornal O Diário - http://maringa.odiario.com/maringa/noticia/540399/250-industrias-estao-na-fila/). Parece que as lideranças não querem que o mesmo aconteça a Ponta Grossa e região. Outro ponto que contribui para a intenção de mudança, obviamente, é eleitoreiro %u2013 a região norte é uma das mais populosas do estado, e certamente observa que os frutos do Programa Paraná Competitivo só apareceram, até o momento, na região leste. O governador fará de tudo para ser reeleito e, para isso, sabe que terá que começar sua %u201Ccampanha%u201D desde já. Até aí não vemos maquiavelismo, dor de cotovelo e muito menos inveja, até porque a região norte, mesmo com seus problemas, é muito desenvolvida. Creio que a dor de cotovelo e, sobretudo, inveja, esteja partindo de Ponta Grossa, pois vê que o norte, mesmo nunca tendo sido auxiliado pelo governo do estado (diferentemente de Ponta Grossa, com o Paraná Competitivo), consegue ser mais rico e desenvolvido que a região dos Campos Gerais.

  • Carlos Lopes Arruda22/02/201208h24

    Muitoimportante esta discussão por parte de nossas lideranças . Os políticos gosta, de tirar fotos quando as empresas fazem seus anúncios de investimentos na cidade. Agora que e necessário uma atuação de defesa vamos ver o que eles irão fazer! Acredito que este seja um tema importante para a nossa acipg que já esta atuando neste caso e que parece que ia chamar os deputados para uma reuniao extraordinária!

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