
Enquanto o ex-prefeito Jocelito Canto, recém-chegado ao PMDB, dizia ontem à tarde, à reportagem do JM, que está dividido na disputa pela Prefeitura de Ponta Grossa entre o apoio ao deputado estadual Plauto Miró Guimarães (DEM) e o empresário Márcio Pauliki (PDT), o ex-governador Orlando Pessuti, um dos caciques do PMDB no Paraná, recebia em seu escritório político, em Curitiba, o pré-candidato a prefeito pelo PR (Partido da República), João Barbiero.
Foi um encontro informal. Outro dia, os dois se encontraram no aeroporto, numa dessas idas a Brasília, e Pessuti convidou Barbiero para um café e, claro, um dedinho de prosa sobre as eleições municipais em Ponta Grossa. Ontem, no final da tarde, o coordenador regional do PR aceitou o convite do ex-governador e descambou até Curitiba para se encontrar com Pessuti. O encontro foi demorado. Bom de memória, o ex-governador lembrou de diversos episódios em que ele e Barbeiro ocuparam as mesmas trincheiras em disputas políticas na região.
Pessuti destacou a antiga parceria que possui com o coordenador regional do PR, ressaltando que essa é uma aliança que tende a se consolidar ainda mais neste ano. Na última terça-feira, o ex-governador, que atualmente ocupa o cargo de conselheiro administrativo do BNDES, esteve com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, com quem conversou justamente sobre a necessidade de os partidos da base de apoio ao governo federal caminharem juntos nas disputas municipais. A mesma conversa, Pessuti teve também com o deputado federal Fernando Giacobo, vice-líder do PR na Câmara dos Deputados e presidente do partido no Paraná.
O ex-governador acredita que juntos, o PMDB, o PT, o PR e o PDT se fortalecem na disputa pelas prefeituras paranaenses. Na conversa com Barbiero, ontem, ele afirmou que os rumos do partido em Ponta Grossa serão decididos em conjunto com as lideranças peemedebistas locais. Mas ele próprio estaria disposto a comungar do projeto - que teria o apoio de Gleisi - de uma aliança em favor da candidatura a prefeito do deputado estadual Péricles de Holleben Mello (PT), como primeira opção, e do próprio João Barbiero (PR), como segunda opção.
Ao longo dos últimos anos, Barbiero construiu uma forte relação de amizade e parceria política com Gleisi, Paulo Bernardo e André Vargas, que são as principais lideranças do PT no Estado. Tanto que hoje o próprio PT considera a hipótese de apoiar Barbiero, caso o projeto de candidatura de Péricles não se viabilize. Barbiero conhece bem as regras do jogo e, neste momento, se movimenta no tabuleiro conforme as coisas vão acontecendo.
A conversa de ontem, com Pessuti, foi estratégica. Em tese, a julgar pelo fato de o PMDB ser governo em Brasília (é o partido do vice-presidente da República, Michel Temer), nas eleições municipais a legenda deveria fazer alianças somente com partidos da base de apoio à presidenta Dilma, prioritariamente o PT e outras legendas mais afinadas com os petistas. Mas, na prática, a realidade é outra. No Paraná, os deputados do PMDB, por exemplo, dão sustentação ao governo Beto Richa, do PSDB. Aliás, o PMDB está no primeiro escalão do governo Richa. Não é por acaso que Jocelito se diz dividido entre Plauto e Pauliki. Plauto é apadrinhado pelo governo estadual, do qual o PMDB faz parte. E Pauliki pertence ao PDT, que é da base do governo Dilma, que também é do PMDB.
Nesta confusão, Barbiero busca um outro traçado. Mais próximo de Gleisi e Paulo Bernardo, ele tenta ganhar a simpatia de Pessuti para ter na figura do ex-governador um grande aliado, caso realmente seja candidato a prefeito e precise compor com o PMDB. Pessuti é hoje o ‘manda-chuva’ de uma das alas do PMDB paranaense. Mas é o dono da ala ligada ao governo federal e que, tese, teria o poder de impor, de cima para baixo, as diretrizes a serem seguidas pelos diretórios municipais do partido.
Ou seja, o dedinho de prosa entre Pessuti e Barbiero ainda pode dar muito o que falar nas próximas eleições municipais. Daqui a pouco, os coelhos começam a sair da cartola...
Comentários para esta notícia.
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Mas tem gente que não se emenda , não é possível,lembrei de um pedaço do gingo do Barbieiro da campanha de 2004, onde se falava que "fico do lado de cá" realmente , ele fica do lado de quem pode lhe oferecer um cargo, tanto faz se for do lado de cá ou de lá...
Gasolina, carro, motorista e muitos cruzeiros pra churrascaria. A prefeitura é uma mãezona.
Grande Barbieiro! Deve ter ido pra Curitiba com gasolina da prefeitura!
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