
As eleições municipais que se avizinham irão definir um novo quadro político nas prefeituras dos Campos Gerais. Ao contrário do que ocorreu nas últimas eleições, quando 16 prefeitos foram reeleitos, desta vez a grande maioria dos chefes do poder Executivo na região não pode mais participar do pleito, justamente por estar concluindo o segundo mandato consecutivo.
Conforme levantamento que o JM publica neste domingo, na primeira de uma série de reportagens sobre a sucessão municipal nos Campos Gerais, em toda a região apenas três prefeitos estão aptos a disputar a reeleição. Considerando os municípios da área de abrangência da AMCG, pelo menos 94,8% das prefeituras terão um novo prefeito a partir de janeiro de 2012.
Isso não quer dizer, entretanto, que os prefeitos impedidos de disputar o pleito, por estarem concluindo o segundo mandato, não terão uma participação ativa nas próximas eleições. Quem está no poder e não pode se candidatar novamente sabe que será obrigado a entregar o cargo na virada do ano, porém, fará o possível e até mesmo o impossível para garantir o mando político.
Os atuais prefeitos, quando não são candidatos à reeleição, são os principais cabos eleitorais em todo município. Nas pequenas cidades, a força política e o poder de influência eleitoral de quem está sentado na cadeira de prefeito parecem ser ainda maior. Por um motivo simples: a divisão de forças é menor.
Ao mesmo tempo, os atuais prefeitos precisam se desdobrar para se cacifarem ao longo deste ano, para chegar na reta final do processo eleitoral com o prestígio popular minimamente necessário para rever isso em voto, garantindo o seu sucessor no cargo. Porque se estar no comando da Prefeitura é um trunfo eleitoral, sobretudo pela ‘força’ da máquina pública, ser prefeito é também estar exposto o tempo todo ao julgamento popular. Ou seja, manter sobre controle os índices de rejeição, ao final de oito anos de governo, é um dos grandes desafios para os atuais prefeitos, especialmente aqueles que ao longo dos últimos anos se descuidaram, dando espaço para o surgimento ou fortalecimento de grupos de oposição.
Considerando o cenário político dos Campos Gerais, a grande maioria dos atuais prefeitos goza de uma situação política positiva. Alguns comemoram, inclusive, elevados índices de popularidade. A exceção é o prefeito de Castro, Moacyr Fadel, que ao longo dos últimos meses entrou numa roda de complicados dissabores políticos. Neste momento, Moacyr, que é um dos 16 prefeitos reeleitos em 2008, está politicamente enfraquecido. Mas o prefeito não cumpre o oitavo ano de mandato por caso. Moacyr é um político hábil, bem articulado, possui um grupo unido e um eleitorado fiel. Ou seja, daqui até as eleições, tudo pode acontecer. Até mesmo a reabilitação política de Moacyr, fazendo com que, na hora decisiva, o prefeito se torne um forte cabo eleitoral.
Lutar contra as força da máquina pública é muito difícil, especialmente nos municípios menores. Há cidades aqui da região, como é o caso de Jaguariaíva – uma das três cidades onde o prefeito pode disputar a reeleição (as outras duas são Piraí do Sul e Imbituva) – onde a situação do prefeito Otélio Baroni (PT) é tão confortável hoje que há quem acredita na possibilidade de um grande acordo político, com o lançamento de uma única candidatura ao governo municipal, ou seja, a de Baroni. Claro que isso é muito pouco provável. Conseguir a unanimidade é difícil e, nesse caso em especial, seria prejudicial à democracia.
Ao longo dos próximos domingos, o Jornal da Manhã trará reportagens destacando como está esse cenário pré-eleitoral nos Campos Gerais. Vamos conhecer quem são os grupos políticos e seus principais pretendentes ao cargo de prefeito. Daqui a pouco, os candidatos serão oficializados e estará aberta a temporada de caça aos votos dos 547 mil eleitores espalhados em toda a região.
]Cabe aos eleitores assumirem o seu papel neste momento histórico de renovação política nos municípios, avaliando bem agora para escolher depois, com responsabilidade, aqueles que irão governar as cidades dos Campos Gerais nos próximos quatro anos.
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