
Greve pode até ser um direito, mesmo legal, mas e os interesses das outras pessoas, alguns inalienáveis, que sempre são feridos por elas? A luta por melhorias é justa, mas deve ter limites. Do outro lado, se o reajuste é de interesse do próprio legislante, tudo se resolve rapidamente e sem as choramingas de praxe.
Brasil afora, em efeito dominó, alastram-se paralisações. Caminhoneiros impedem, absurdamente, o direito constitucional de ir e vir. Nisso resultou o abandono das ferrovias, mas o governo promete sua volta... Onde enfiarão tanto caminhão? Por aqui, pararam o transporte coletivo urbano... Sobrou para quem?
Hospitais param. Desmarcam-se cirurgias emergenciais, como se a vida das pessoas, que dependem delas para sobreviver, fosse balela... Com filas para transplantes, perdem-se órgãos raros porque há paredes... As universidades federais, como a UFTPR (parada há 90 dias), atrasam o futuro de milhares de jovens. Na mesma esteira, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, mais de trinta greves... Agora também a UEPG.
Os governos enrolam. Agem no ritmo de esconde-esconde com os grevistas, postergam soluções. No Paraná, parece que é o que vem ocorrendo. Nada contra os salários dos técnicos, mas um professor não deve perceber menos que eles, mercê de mestrados e doutorados. Os impasses ficam por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com isso, fere-se a educação dos jovens. Quem lhes devolverá o tempo perdido?
Existe podridão no âmago de tudo isso. O que se busca é manutenção e melhorias no status de vida, mas em detrimento de outros. Se greve resolvesse problemas funcionais, os professores (e tenho orgulho de sê-lo) perceberiam umas dez vezes mais. Quem dirige os sindicatos de funcionários mantêm seus ganhos enquanto no cargo. Têm todo o tempo para buscar soluções. Será que não existem outros modos de luta que não prejudiquem, e até matem, outras pessoas?
Nas eleições, os movimentos aumentam. Só posso concluir que, em quem pode solucionar problemas do trabalhador, plantou-se um cifrão no lugar do coração. Parece que, nos sindicatos, arraigaram-se tapas, cérebros amebianos... Cabeça existe para pensar, criar, achar soluções sem prejudicar o social. Greve só posterga, indefinidamente, problemas endêmicos, mas a vítima, greve após greve, é sempre o cidadão, que paga pelos serviços e não os recebe a contento...
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