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Publicado em 19 de Fevereiro de 2012, às 00h00min | Autor: Ben-Hur Demeneck - b.demeneck@uol.com.br

Falta Nobel na Biblioteca

De 1959 a 2010, 50 escritores receberam o Nobel de Literatura. Apesar da celebridade e do valor artístico de seus autores, 33 deles estão ausentes da coleção municipal de livros

Parte 1

De 1959 a 2010, 50 escritores receberam o Nobel de Literatura. Apesar da celebridade e do valor artístico de seus autores, 33 deles estão ausentes da coleção municipal de livros. Ou seja, de cada cinco laureados do período, há apenas dois integrando o acervo ponta-grossense.
O levantamento do indicador “Nobel de Literatura” se soma a outro anterior, relativo ao prêmio Jabuti. Para recapitular: a 30 e 31 janeiro de 2008, no Jornal da Manhã, foram publicados os artigos "Como os Jabutis fogem da Biblioteca?" (I e II). Os textos divulgavam a informação de que apenas 4 títulos de uma lista 59 Jabutis nas categorias romance e poesia figuravam nas fichas de consulta da Biblioteca.
Como o ano corrente havia sido 2008, a primeira pesquisa havia tirado por amostra um intervalo de dez anos então recentes – de 1997 a 2007. Por sua vez, esta investigação foi realizada em 2010, escolhendo um espaço de tempo de meio século. Obtidos os dados locais, eles foram comparados com de outras duas cidades. Enquanto que a biblioteca pública de Ponta Grossa dispõe de 17 autores do Nobel de Literatura relativos ao período 1959-2010, as de Maringá possuem 28 e a Biblioteca Pública do Paraná (BPP), em Curitiba, alcança o valor de 38. Os dados indicam que ainda falta para o acervo municipal afinar a sintonia com escritores e pensadores influentes em nosso tempo. Se a primeira pesquisa mostrava a carência de contemporâneos prestigiados no espectro nacional, desta vez, o amplia mundialmente. Afinal, nenhuma crítica aos critérios do Nobel seria suficiente para encobrir a negligência à aquisição de obras como a de Samuel Beckett, um marco na história da dramaturgia. E o mesmo se pode dizer à omissão que há a figuras em ascendente prestígio, caso do sul-africano J. M. Coetzee e do turco Orhan Pamuk.
A Biblioteca Pública do Paraná (BPP) serve neste comparativo como um índice de qualidade, afinal, sequer seu excelente conjunto alcança a totalidade de laureados (76%). Quanto a Maringá, a presença dos autores Nobel é de 56% contra os 34% de Ponta Grossa. Isto é, apesar dessas duas cidades terem um porte demográfico similar, é mais acessível ao leitor maringaense tirar o prêmio sueco para roteiro de suas leituras que se aventurar entre estantes da Estação Saudade, na Princesa dos Campos Gerais.
A Diretora da Biblioteca Pública Bruno e Maria Enei, Gisele Aparecida França, foi procurada para comentar os dados. Para França, o indicador Nobel de Literatura não serve para avaliar o acervo porque o considera um prêmio político e o comparou às escolhas de um novo imortal pela Academia Brasileira de Letras (ABL). Acredita que as decisões de mudar a Biblioteca de prédio e de Secretaria irão repercutir de forma favorável para a coleção de livros, no entanto, não apresentou nenhum plano de ação para, especificamente, reverter o déficit Nobel. Luiz Rebinski Jr., chefe da divisão de difusão cultural da BPP e editor do jornal Cândido, menciona em entrevista feita para este artigo que os autores Nobel são, em sua maioria, grande literatura. Ele equilibra o mosaico dessas celebridades literárias com a diversidade de seus talentos. “É uma bela lista, que tem nomes geniais (e díspares) como Saul Bellow, Samuel Beckett, Sartre e Herman Hesse”, equaciona. A sua objeção ao Nobel diz respeito aos critérios de escolha e exemplifica com o fato de um Jean-Marie Le Clézio ter ganhado a distinção e Guimarães Rosa, não.
Para encerrar, no artigo número dois desta série encontre o comentário de leitores sobre a Biblioteca Bruno e Maria Enei. A pergunta inicial era como se eles se posicionavam diante do dado de que há pouco Nobel disponível nas prateleiras. Pelo menos de 1959 para cá, em valor de 34%. Como era de se esperar, o diálogo se ampliou para outros assuntos do mundo da leitura. Entenda também porque o primeiro século de Nobel de Literatura consta na coleção reserva. E em edição de luxo.
 



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