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Júri de Lindemberg

Publicado em 15 de Fevereiro de 2012, às 09h30min | Autor: Da Redação

Advogada de defesa manda juíza voltar a estudar

Você precisa voltar a estudar, disse; promotora ameaçou processá-la Júri do caso Eloá entra em seu terceiro dia

Juri de Lindemberg entra no segundo dia

A advogada Ana Lúcia Assad, defensora de Lindemberg Alves, acusado de matar Eloá Pimentel em Santo André, no ABC, em 2008, bateu boca com a juíza Milena Dias na tarde desta terça-feira (14) durante o depoimento da perita criminal Dairse Aparecida Pereira Lopes. Lindemberg começou a ser julgado nesta segunda (13) no Fórum de Santo André.
Ana Lúcia Assad reclamou de um ponto técnico durante o depoimento, afirmando que havia um número errado no processo. A juíza disse que não cabia à defesa fazer tal questionamento no momento. Indignada, a advogada disse que queria apenas a "verdade". A juíza voltou a dizer que ela ia ter a oportunidade de falar isso nos debates e que esse não era o "conceito".
Foi, então, que a advogada disse: "Você precisa voltar a estudar". A promotora Daniela Hashimoto saiu em defesa da juíza e disse para ela "tomar cuidado", que estava desacatando e ameaçou processá-la. A juíza, no entanto, determinou que o julgamento prosseguisse.
O júri foi retomado às 14h desta terça no Fórum de Santo André, após o intervalo para almoço. Antes da perita, foram ouvidos os jornalistas Rodrigo Hidalgo e Márcio Campos.
Os dois disseram que nos contatos feitos entre a polícia e o acusado ele não apresentou exigências e se mostrou disposto a matar Eloá. Questionados sobre uma influência da imprensa do desfecho, ambos afirmaram ainda que em nenhum momento jornalistas fizeram qualquer tipo de provocação nem incitaram Lindemberg a cometer um ato violento.
Hidalgo disse ainda que os jornalistas foram pegos de surpresa com a invasão ao apartamento, pois a polícia havia convocado uma entrevista coletiva no horário.
A advogada Ana Lúcia Assad pediu pela manhã que a mãe da vítima, Ana Cristina Pimentel, não fosse ouvida durante o julgamento. Nesta segunda (13), a própria advogada havia arrolado a mãe de Eloá e o irmão caçula, Everton Douglas, de 17 anos, como testemunhas. Ana Lúcia ameaçou abandonar o júri caso Ana Cristina Pimentel fosse ouvida.
"Não concordo que essa testemunha seja ouvida. Eu quero dispensá-la”, disse Ana Lúcia, sem apresentar motivo. A juíza ponderou ser necessária a concordância da acusação. A promotora do caso, Daniela Hashimoto, discordou. Em seguida, a advogada de Lindemberg ameaçou. "Eu vou abandonar o júri. Eu vou embora”, disse, elevando o tom de voz.
A acusação acabou aceitando a dispensa de Ana Cristina. O Ministério Público, entretanto, não concordou com a dispensa de Everton Douglas, que foi ouvido como testemunha do juízo.
 



Comentários para esta notícia.


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  • André Luiz15/02/201212h43

    O pedido da advogada é de ordem técnica. Ela não disse que queria a %u201Cverdade%u201D, mas sim a aplicação do magno %u201Cprincípio da verdade real%u201D que vigora no Processo Penal. Eis que, referido princípio é muito importante e básico em matéria de Direito Processual Penal, de modo que, se verdadeiramente a magistrada o desconhece ela realmente precisa estudar mais. O princípio da verdade real difere-se da %u201Cverdade processual%u201D, a qual muitas vezes ocorre no processo civil onde %u201Co que não está nos autos não está no mundo%u201D. No Processo Penal busca-se a verdade material dos fatos, destarte, entendo que a defesa agiu com proficiência na defesa dos interesses de seus tutelados.

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