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Coluna do Bail
Altayr Bail
Jornalista e comentarista esportivo abail@uol.com.br
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Ficamos nas promessas
01/08/2010 04:00:00

O primeiro turno da fase inicial do Brasileiro da série D terminou ontem sem que nenhuma equipe ganhasse vantagem expressiva no grupo 9, onde está o Operário. As partidas se mostraram equilibradas e tudo será definido nos confrontos da volta, com tabela invertida. O nosso representante fez o dever de casa diante do Joinville, mas deixou o torcedor preocupado pela falta de agressividade na maior parte do jogo. Enquanto tenta a sua qualificação, o clube bem que poderia estar buscando uma melhor estrutura para o seu futuro no futebol profissional. As promessas dos dirigentes foram cumpridas dentro de campo, mas o Operário está longe de se transformar numa agremiação com objetivos mais ousados e com um mínimo de organização administrativa. A reforma do estádio Germano Kruger ficou pela metade, ou nem isso, já que o gramado se apresenta em condições precárias, apesar do investimento do final do ano passado. Talvez os dirigentes tenham ficado na ilusão de que o poder público irá prestar algum tipo de ajuda. As promessas deste setor são igualmente falsas. A lorota de que o campo do Operário seria reformado para servir de sub-sede da Copa de 2014, com recursos do governdo do estado, não vai impressionar as pessoas sérias. Todos sabem que há impedimentos legais na aplicação de recursos em patrimônio particular e a cidade de Ponta Grossa não pode contar nem mesmo com a ajuda do Município. Sendo assim, o time pode até avançar em competições mais importantes, mas a sua presença em Vila Oficinas vai ficar cada vez mais limitada. Está na hora dos gestores do Operário pensarem num futuro bem próximo, já que o campeonato da elite paranaense é uma realidade para o nosso Fantasma. Ou vamos ficar no sufoco das últimas semanas, sem nem mesmo uma complementação de serviço na pista do estádio, transformada num monte de caliças? Infelizmente o clube sofre os efeitos de uma parceria mal conduzida. Até parece que os dirfigentes ainda não entenderam a força do Operário, um clube que está próximo de completar cem anos e que a cada dia ganha novos e importantes adeptos. Hoje, não passa de um gigante adormecido, entregue à boa vontade de meia dúzia de entusiasmados esportistas. A cidade precisa pensar diferente em relação ao nosso futebol profissional. Não vejo mais o envolvimento de grandes empresários, da classe política e muito menos daqueles que deveriam se interessar pelo crescimento da cidade como um todo. O futebol continua sendo a grande paixão do nosso povo, a despeito das burradas cometidas pela cúpula da CBF na condução do selecionado canarinho. Continuamos pensando pequeno e de maneira egoísta, sem permitir que outras forças da comunidade possam investir no segmento que melhor divulga uma cidade e que está na preferência da maior parte da população. Os políticos são os mais omissos nesta avaliação, mas por certo não deixarão de pedir votos aos torcedores, com as mesmas promessas que jamais serão cumpridas. Quem não criar uma estrutura minimamente adequada ao profissionalismo não irá sobreviver. Está na hora de mudar a realidade do Operário, que continua sendo um time de sonhos. Quem tiver a curiosidade de passar 24 horas dentro do clube vai entender melhor o que estou afirmando. Estaremos de férias no mês de agosto. Voltamos em setembro. Até lá!

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Diferença na arquibancada
25/07/2010 04:00:00

Os resultados apertados da primeira rodada apenas confirmaram a tendência de muito equilíbrio no grupo do Operário Ferroviário. Os dois times que jogaram em casa venceram, mas não revelaram supremacia. O São José aproveitou o tempo ruim no Passo d'Areia para construir uma vitória baseada no esforço físico. O Joinville teve pouca gente a apoiá-lo na Arena e a culpa nem foi das condições atmosféricas. O seu torcedor ficou decepcionado com a perda da Copa Santa Catarina, dentro de casa. A imprensa da "Manchester" ainda fez críticas pela atuação pouco convincente, apesar da vitória. A rodada deste final de semana vai abrir a possibilidade de uma melhor avaliação, principalmente com respeito ao JEC, tido e havido como a maior força do grupo.

A estréia do time alvinegro ficou dentro do esperado, embora o resultado pudesse ser melhor. A torcida local estaria bem mais motivada se a derrota não fizesse parte do duelo travado em Porto Alegre. Apesar disso, existe motivação suficiente para a presença de um grande público hoje em Vila Oficinas. E é nesta participação que os dirigentes e jogadores estão apostando. O resultado financeiro vai fazer muito bem para aqueles que têm a obrigação de manter as contas em dia e o grito da arquibancada pode ser o combustível que entusiasmará o elenco princesino. Afinal, muitos dos jogadores que chegaram agora para jogar no Fantasma vivem a expectativa de jogar com casa cheia, já que esta é a informação que foi passada por aqueles que estão aqui há mais tempo. Numa disputa tão igual como esta, a torcida pode ser o fator de desequilibrio, mesmo que ela não possa estar no gramado para chutar em gol.

Depois de quase vinte anos, o Operário volta para uma competição nacional, sendo plenamente justificável o clima de ansiedade entre os torcedores. Do ponto de vista classificatório, a vitória passa a ser a única meta do Operário, pois o torneio é tiro curto e não dá chance para quem tropeça dentro de casa. Até um empate pode significar o fim do caminho já nesta fase do Brasileiro. É verdade, também, que a vitória não garante nada, mas vai manter viva a disputa por uma das vagas, além de impedir o crescimento do adversário mais temido da chave. O técnico Caçapa teve uma semana cheia para trabalhar o grupo e anuncia poucas mudanças, mas que podem representar uma nova postura do time em campo. A diferença desta disputa em comparação com o estadual deste ano está justamente nas opções oferecidas ao treinador. O setor ofensivo tem várias peças para serem mexidas, ficando os acertos por conta da capacidade de mudar na hora certa.

O jogo deste domingo ainda ganha contornos de rivalidade, já que os dois adversários já estiveram em outras jornadas, sempre oferecendo espetáculos interessantes. Cabe ao torcedor fazer a sua parte, pois a diretoria buscou o que era possível e todos nós sabemos que o trabalho teve uma boa dose de sacrifício para entrar uma competição inteiramente deficitária. Se queremos a continuidade do futebol e o Operário sempre buscando novas escaladas no cenário nacional não podemos faltar com o nosso apoio no jogo desta tarde. Todas as ladeiras nos levam a Vila Oficinas.

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O futuro importa mais
18/07/2010 04:00:00

Os resultados da primeira rodada não refletem nenhuma tendência nos grupos 9 e 10 do Brasileiro da série D. As equipes estão niveladas e muito pouco poderão oferecer em termos de futebol ajustado e emocionante. Os investimentos, sem exceção, foram modestos, já que a CBF não arca com nenhum auxílio, deixando os filiados à mercê da própria sorte. Mais afortunados são os clubes que podem contar com a presença marcante dos seus torcedores, amenizando um prejuízo mais do que assegurado. É o caso do Operário, que jamais foi abandonado pela sua fiel torcida, mesmo quando estava mergulhado numa fatídica segunda divisão. Agora que voltou para o Brasileiro, mesmo que na série mais distante da elite, o Fantasma espera contar com o apoio da torcida para não ter que pagar a conta integralmente.

A estréia numa disputa deste nível é marcada pelo nervosismo e falta de conhecimento da força que está do lado oposto. Os torcedores precisam esta concientes de que nada está ganho ou que nada é definitivo depois da rodada inaugural. Nem mesmo o placar do jogo Joinville x Oeste pode significar facilidade com os futuros adversários da chave. O time só poderá avaliar as suas chances no grupo a partir da última rodada do primeiro turno e até lá já terá disputado três jogos, sendo dois deles fora de Vila Oficinas. O trabalho feito pelos dirigentes alvinegros está voltado para o futuro da agremiação. Todos têm consciência de que esta participação no Nacional é um tiro no escuro. Uma autêntica aventura. Pode dar certo, mas também pode dar tudo errado na tentativa de alcançar a série C na próxima temporada. Como a presença no Paranaense de 2011 importa mais, o Operário já terá onze jogadores contratados quando a disputa deste Brasileiro terminar. Os contratos firmados com os jogadores Eduardo Rato, Diego Zanuto, Osmar, Ivan, Cassiano, Gilson, Cambará, Tardeli, Zé Leandro, Léo Gazola, Rilber e Vinícius vão até o dia cinco de maio do próximo ano, ou seja, até a data prevista para o término do estadual. Como o volante Dario, formado na base, assinou até o dia trinta e um de novembro de 2011, treze jogadores estarão em condições de continuar trabalhando em Vila Oficinas. Esta política adotada pelos dirigentes é o que existe de mais acertado, pois o Operário não pode simplesmente desmontar um elenco ao final de cada disputa.

O que a torcida mais esperava era pelo direito de acompanhar o seu time ao longo de toda uma temporada e a presença no Brasileiro possibilita que o trabalho tenha continuidade. Já foi assim com o aproveitamento de vários jogadores que estavam no Estadual e não será diferente na disputa do próximo ano. O ideal era que o clube contasse com uma estrutura que permitisse a subida de jogadores formados na base. Enquanto essa realidade não existir, o mais acertado é a manutenção de valores que atendam às expectativas da comissão técnica. Há também uma boa perspectiva com a formação do time júnior que vai disputar a Copa Tribuna. São jovens que podem ter aproveitamento no elenco profissional, minimizando os custos no momento de definir o grupo para o estadual do próximo ano. Vale, no momento, o projeto futuro, já que o Brasileiro da série D significa para o torcedor a oportunidade de ver o time em ação também no segundo semestre. Para a diretoria, contudo, a disputa precisa ser avaliada de forma prática e objetiva, já que o resultado financeiro ficará muito aquém da mais otimista das expectativas. Infelizmente a realidade vivida pelo futebol profissional de Ponta Grossa está muito distante do que poderia ser considerado ideal para uma torcida que aposta em dias melhores para o seu clube do coração.

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Difícil de acreditar
11/07/2010 04:00:00

No dia em que o mundo inteiro volta suas vistas e atenções para o Soccer City a fim de acompanhar o desfecho de uma inédita final de Copa do Mundo, ficamos com a preocupação do trabalho realizado pelo Operário para marcar a sua volta à disputa nacional. A última participação foi no torneio seletivo de 1993, quando despediu-se com uma vitória diante do União Bandeirantes por 2 a 0, insuficiente para assegurar uma vaga no grupo C. Um ano depois, o clube solicitou o seu afastamento do profissionalismo, só retornando em 2004 para disputar a segundona paranaense. Estamos a uma semana da aguardada volta e a expectativa do torcedor cresce muito, apesar do assunto dominante estar relacionado com a final da Copa e o desfecho melancólico da seleção de Dunga. Pelos jogos amistosos e treinamentos já realizados, percebe-se que a diretoria do Operário conseguiu reunir um bom grupo de jogadores. O trabalho dentro de campo permite acreditar numa boa campanha. O que preocupa, entretanto, é o desempenho fora das quatro linhas. O chamado Grupo Gestor está resumido ao desempenho do Dorli Michels. A equipe que trabalha para colocar o onze em campo domingo em Porto Alegre está no sacrifício. Para um clube que promete voltar com toda a força, o que se observa no dia-a-dia de Vila Oficinas é desanimador. No inicio da temporada, quando se preparava para o estadual, chamava a atenção o fato de que alguns poucos abnegados dirigentes se misturavam aos dois gestores para dar conta do recado. O que se viu, por conta desta precariedade de mão de oba, foi um time raçudo, que superou dificuldades para alcançar o objetivo traçado pela diretoria. Fora do gramado, porém, uma sequência de falhas que sacrificaram o torcedor. Passados seis meses e uma vaga conquistada na série D não mudaram o lamentável quadro. O grupo de gestores ficou resumido ao incansável Dorli, embora ele não admita o afastamento de Franco Menezes, desaparecido da cidade há várias semanas. A situação financeira é a mais séria, embora o grupo contratado tenha recebido a promessa de que tudo será resolvido no devido tempo. A torcida esperava que esta situação fosse bem diferente quando os diretores decidiram colocar o time no Brasileiro. O grupo é difícil e há quem afirme que o Operário é o que está com menos tempo de trabalho. O Joinville encerrou ontem a sua participação na Copa Santa Catarina decidindo o título na Arena contra o Brusque. Tem um bom elenco e um treinador - Edinho - com larga experiência. O Oeste é orientado por João Ricardo e buscou no Corinthians Paranaense reforços como Rodrigo Crasso e Alisson, além de contratar o "matador" Marcelo Peabiru. O São José mostrou falta de entrosamento nos amistosos, mas tem jogadores de bom nível e o treinador Luiz Carlos Winck otimista quanto ao êxito da equipe. Sua última partida foi uma derrota para o Pelotas, fora de casa. A campanha preparatória dos três adversários não deve intimidar o Operário, mas será preciso muita força do elenco para superar as dificuldades que são notórias fora de campo. E o sucesso desse plantel poderá significar uma boa caminhada no estadual do próximo ano. Será preciso, entretanto, que outros parceiros se apresentem em Vila Oficinas, pois só com a presença do torcedor e a boa vontade de poucos colaboradores fica muito difícil prever uma mudança estrutural numa agremiação que tem uma nova oportunidade para ressurgir como uma força promissora do interior do estado.

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Caça às bruxas
04/07/2010 04:00:00

Faltando duas semanas para o inicio do Brasileiro da série D, deveríamos estar analisando a fase de preparação do Operário, mas diante da eliminação do Brasil não temos como deixar de considerar alguns aspectos da presença da nossa seleção na Copa da África do Sul. Até porque, o trabalho em Vila Oficinas vai caminhando de forma satisfatória, tudo levando a crer que um bom time será montado para a disputa nacional. Agora que a poeira já baixou e a ficha caiu, a principal preocupação do nosso torcedor é encontrar os responsáveis pelo fracasso "canarinho" em gramados africanos. Dunga assumiu a responsabilidade, mas ele não é o maior responsável. Quem deve responder pelo vexame é o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que apostou num ex-jogador como experiência numa função de tamanha responsabilidade. A preparação atendeu às expectativas, pois no período em que esteve no comando da seleção Dunga foi taxado de vencedor. O problema começou quando a Comissão Técnica escolhida pela CBF traçou os planos para a Copa da África do Sul. Dunga decidiu caminhar com um grupo escolhido durante as eliminatórias e Copa das Confederações, desconsiderando os talentos que despontaram no primeiro semestre deste ano. O apelo da torcida, as críticas da imprensa e indicação dos mais experientes não mexeram com o radicalismo de um técnico que se notabilizou pelo estilo "queixo duro". Quando o grupo ficou definido, nada mais restou aos torcedores a não ser rezar pelo êxito da seleção em busca do hexa campeonato. Muita gente ficou desconfiada de que o Brasil não iria muito longe. E não deu outra. Com um elenco de parcos recursos técnicos e um craque fora de condições clínicas não foi possível avançar além das quartas de final. E a culpa não é dos jogadores. Nem mesmo do violento e irresponsável Felipe Melo. Eles apenas atenderam às escalações equivocadas do filho bastardo da CBF. Os jogadores de elevado nível, que poderiam modificar a história de um jogo difícil como este diante da Holanda, não foram chamados porque eles questionavam a forma do Dunga trabalhar. A maneira como ele "encarcerou" o plantel a partir do trabalho iniciado em Curitiba foi uma clara demonstração de incompetência. O tratamento dado aos profissionais de imprensa foi lamentável. A própria CBF ficou no prejuízo, pois os treinos secretos eliminaram a visibilidade dos patrocinados que gastaram fortunas para apoiar a seleção. É a segunda Copa que deixamos de conquistar nesta década apenas porque o ditador maior do nosso futebol vai se eternizando no cargo, numa clara demonstração de desrespeito ao regime democrático que prevê a alternância de poder e que também deveria prevalecer no futebol. Como ele não dá entrevistas, nem explicações, tudo vai ficar nas costas da Comissão Técnica e dos jogadores, os menos culpados pelo grande desastre. Quem saiu ganhando neste triste episódio foi o trio de arbitragem do Brasil que por certo conduzirá outros jogos importantes, podendo ser escalado até para a grande final, embora não seja o grupo mais cotado pela comissão da FIFA. Enfim, a Copa acabou para o futebol mais talentoso do planeta, mas que continua sendo dirigido por um ditador que não abre mão da presidência da CBF e que vai continuar tirando proveito do cargo até a Copa de 2014 e que por certo renderá muitos lucros, pois ela será disputada em nosso país. Enquanto isto, o sofrido povo brasileiro fica chorando o fracasso da sua maior paixão que é o futebol.

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