Os resultados da primeira rodada não refletem nenhuma tendência nos grupos 9 e 10 do Brasileiro da série D. As equipes estão niveladas e muito pouco poderão oferecer em termos de futebol ajustado e emocionante. Os investimentos, sem exceção, foram modestos, já que a CBF não arca com nenhum auxílio, deixando os filiados à mercê da própria sorte. Mais afortunados são os clubes que podem contar com a presença marcante dos seus torcedores, amenizando um prejuízo mais do que assegurado. É o caso do Operário, que jamais foi abandonado pela sua fiel torcida, mesmo quando estava mergulhado numa fatídica segunda divisão. Agora que voltou para o Brasileiro, mesmo que na série mais distante da elite, o Fantasma espera contar com o apoio da torcida para não ter que pagar a conta integralmente.
A estréia numa disputa deste nível é marcada pelo nervosismo e falta de conhecimento da força que está do lado oposto. Os torcedores precisam esta concientes de que nada está ganho ou que nada é definitivo depois da rodada inaugural. Nem mesmo o placar do jogo Joinville x Oeste pode significar facilidade com os futuros adversários da chave. O time só poderá avaliar as suas chances no grupo a partir da última rodada do primeiro turno e até lá já terá disputado três jogos, sendo dois deles fora de Vila Oficinas. O trabalho feito pelos dirigentes alvinegros está voltado para o futuro da agremiação. Todos têm consciência de que esta participação no Nacional é um tiro no escuro. Uma autêntica aventura. Pode dar certo, mas também pode dar tudo errado na tentativa de alcançar a série C na próxima temporada. Como a presença no Paranaense de 2011 importa mais, o Operário já terá onze jogadores contratados quando a disputa deste Brasileiro terminar. Os contratos firmados com os jogadores Eduardo Rato, Diego Zanuto, Osmar, Ivan, Cassiano, Gilson, Cambará, Tardeli, Zé Leandro, Léo Gazola, Rilber e Vinícius vão até o dia cinco de maio do próximo ano, ou seja, até a data prevista para o término do estadual. Como o volante Dario, formado na base, assinou até o dia trinta e um de novembro de 2011, treze jogadores estarão em condições de continuar trabalhando em Vila Oficinas. Esta política adotada pelos dirigentes é o que existe de mais acertado, pois o Operário não pode simplesmente desmontar um elenco ao final de cada disputa.
O que a torcida mais esperava era pelo direito de acompanhar o seu time ao longo de toda uma temporada e a presença no Brasileiro possibilita que o trabalho tenha continuidade. Já foi assim com o aproveitamento de vários jogadores que estavam no Estadual e não será diferente na disputa do próximo ano. O ideal era que o clube contasse com uma estrutura que permitisse a subida de jogadores formados na base. Enquanto essa realidade não existir, o mais acertado é a manutenção de valores que atendam às expectativas da comissão técnica. Há também uma boa perspectiva com a formação do time júnior que vai disputar a Copa Tribuna. São jovens que podem ter aproveitamento no elenco profissional, minimizando os custos no momento de definir o grupo para o estadual do próximo ano. Vale, no momento, o projeto futuro, já que o Brasileiro da série D significa para o torcedor a oportunidade de ver o time em ação também no segundo semestre. Para a diretoria, contudo, a disputa precisa ser avaliada de forma prática e objetiva, já que o resultado financeiro ficará muito aquém da mais otimista das expectativas. Infelizmente a realidade vivida pelo futebol profissional de Ponta Grossa está muito distante do que poderia ser considerado ideal para uma torcida que aposta em dias melhores para o seu clube do coração.